domingo, 15 de maio de 2011

Despeço-me do mar, minha terra é perto do Paranoá.
Desço de um avião para voar com outras asas.Só que essas,
sem plano,
sem piloto,
sem direção

sábado, 2 de abril de 2011

Aperto
de mão
em mão
por um
tostão
de paixão

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vento rasgando o suor afogado no rosto
bicicleta,movida à perna,a calor do corpo
Desfila magrela
pela estrada poética,catraca nossa fadiga
Quando livres, exaustos,
só resta o cansaço
ela renasce,pulsa de arte
no ritmo do peito arfante
rasga o pulmão,asfixiante
para que o ar entre,
pedale,
se afague
se enamore com a vontade
de correr sem direção
leve como o guidom

Duas rodas que são pétalas,
no deserto de gasolina,
vão fecundar esta carnificina
com liberdade,com ardor


Duas rodas pra frente
sem engarrafamento que enfrente!



quarta-feira, 9 de março de 2011

Vai um haicai pro Neruda

Pingos de chuva
lágrimas dos pássaros
lembranças de Neruda

Sede de tinta
seca o solo
sóis de pintura.

sábado, 5 de março de 2011

Madrugada decrépita, caem-se estrelas, rangem-se pernas.
Rangem-se dentes, até que se rasgue a pele do tempo,
se rache,
se seque,
se deserte,
sangre segundos mais eternos que um olhar.
Amordaça-se a mudez destes olhos que assobiam ilesos
o falso sossego da manhã que não é. Que não chega.
A manhã fugiu , nas entranhas do primeiro trem
Por motivos que não convém,
Linguagem do dia e da noite,
No abismo do caos são amantes da queda
Assim como nós, que amamos sem medo das sequelas
Minha barriga sem tu fica vazia,
Ruge a mais rouca ressonância,
Que se afina totalmente com a inconstância
Do barulho dos passos teus
Se inventando na areia.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Como-te com a ponta dos meus olhos,
já que não cabes em minha boca.
Mesmo que eu a abra toda,
distendendo a mandíbula,
retorcendo minha língua
para encaixar tuas grandes coxas,
trava no começo,engasgando minha garganta,
asfixiando meu utópico desejo de matar a minha fome de amar.
Se coubesse,mastigaria tua pele ardorosa,
como se fosse goma de tapioca,
dissolveria na saliva
até a vontade ficar implícita.
Contaria nos dedos,meus,teus,dos outros,os gostos,desgostos,desejos expostos que na memória da língua eu sentiria,sem mais me sentir

Queimo a fina membrana que separa minha imaginação da árida realidade, crio minhas próprias verdades,
crio bocas nos olhos
e enfim engulo-te por desfecho,
devoro-te por completo,
canibalizo teu pensamento mais complexo
até me extenuar em tuas lembranças,
e fazer parte de mim mesmo.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Inferno rasgado ao meio
Pelos dentes de libido,de infarto,de desejo.
Conceito quebrado em cheio
Um veraneio de peças de quebra-cabeça trocadas com o acaso,
sem medo do descaso alheio e comprado.
Pondo os panos nos pratos,
o batuque fora do compasso
o grito fora da garganta
a garganta dentro da caçamba
que leva pra boemia que explode no meio do teu mato

Aponto minha arma,
carne em brasa,
ejaculo tuas graças
rasgo teu pudor ao meio
faço nascer outra em teu leito
desafino meu ouvido,só ouço agora teus sons afiados,que ecoam pelo céu, mulato borrado.

Sôfrego,viro instinto.
viro palavra,
esvoaçante, meio cruzada,
folgada em teu seio, tatuada meio a meio.

Sôfrego, reviro-me em teus lábios,
até o divino ser desfeito
meu amor em teu corpo, liquefeito.

E nascemos um no outro, imperfeitos.