sábado, 25 de agosto de 2012

Poesia

Filha vadia

Surge doendo
De parto natural

Mas quem nasce

Sou eu

terça-feira, 19 de junho de 2012

Garranchar besteiras
letra bonita não enche papel
palavrear cegueiras
para fingir que o tempo passa
de bom grado me arrasta
Mas quando sinto, do bonde já caí
de carona só com as pernas fora da saia
Meu sangue condicionado de cabra macho
espanta os possíveis solidários
Piso no corpo de cimento mole
que é este presente disforme
Só para deixar marcas dessa caminhada
Mas como é esperta essa hora marcada!
Seca nas primeiras passadas
Fico preso, de solidão esfarrapada
Cada tentativa endurece o cárcere
Cimentado em meu díspare horário
Anti-horário rodarei
Do outro lado do mundo
Sou é rei!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Minha vizinha tem um jeito amulherado de mel
Seus lábios são macios como as nuvens cheias de céu
Escorregadios como salpicos de chuva
Tua relva calma, te encabeçando de fios negros
e impenetrantes, longo pavio,não te aborreces...
Se encaixa na fluidez de teus quadris
e na melancolia amendoada de teus olhos sutis
Quero agora reconhecer tua loba escondida
e lhe causar tua verdadeira tempestade
me abrigar em tua meia verdade,
Arrancar uma lasca de teu sorriso pouco a vontade
Uivar,te embaralhar até não caber de selvagem
te fantasiar e me atiçar com seu pensamento em pele viva
queimando até a saliva
Viva luz de fogueira
Noite suada,foge ligeira
O breu se cativa
A distância friorenta entre dois apartamentos em Brasília
se converte em alucinação fugidia.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Férias

Brasilia

















Vazia








Asfixia











Beirando a extinção




Fogueira queimada


à bala de canhão





Eixinho,Eixao




Cada balão em sintonia




Asas entreabertas de fuga  maresia



Fuga da certidão do concreto vão




Cemitério dos ipês




Engravatamento dos desumanos porquês


















Meu peito




Taquicardia


Histeria















MINISTERIFOBIA

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Nossos olhares
Velejam como sete mares
Suas ondas só se encontram
de vez em nunca
Na volta salgada da praia
ou num choro de chuva
Solidão amargando ditadura
morar distante
horas bem curvas
morros berrantes
Cabe tão Brasiliada,vasta estrada,mesmo quando tarda
Só não cabe a saudade
de não te conhecer
Mas incendiar
Com o castanho de tua íris a me cegar
Teu sol escondido em mim caber
Tua lembrança me carcomer
Tenho fome
de descobrir teu nome
e te chamar
ao meu belprazer
Deixar tua pele
me cobrir,
descobrir-te
com meu desgaste do peito
me mantendo de pé.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O tempo
feito incenso
se esvai
Na cabeça
Uma hora e meia
Foi minuto atrás
Segundo se engole só
desafinado sem dó
dormência sem hora para desembestar
pulsa crença itensa
do tempo escorregar

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Saudade de uma cidade de mar
Com seu calçadão tragado de sal
Suas pernas abertas pro comércio informal
Seus transeuntes que se conhecem por meio do vem e vai
como as ondas bruscas de água carnal
puxada pelos pés de volta pro balanço, maré em soprano,
sem se despedir,mas ainda a se despejar
aos pés da ressaca, sedenta por afogar
esses amores desidratados da capital
Pifa,
ao menor choque de água-viva.

Saudade da Brasília crua
Comida pelo seu próprio carnaval
Vazia,sem curvas
Bocas de lobo entupidas de ruas
E nenhuma das pessoas astutas
para se despir de vendaval